Quem é Polan Lacki?
Polan
Lacki nasceu e viveu a sua infância e adolescência na zona rural do
município de Foz do Iguaçu, Paraná. Graças a esta circunstância começou a
conhecer desde criança os problemas da agricultura convivendo com eles e
aprendeu a executar várias atividades agrícolas e pecuárias, executando-as. É
engenheiro agrônomo formado pela Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro.
Em uma realidade de pobreza constatou que os próprios pobres podem deixar de
ser pobres
Ainda jovem teve a excelente oportunidade de trabalhar durante mais de 5 anos,
como extensionista, com os agricultores mais pobres do Brasil, no Estado do
Piauí. Lá as condições edafo-climáticas eram muito adversas e, com exceção da
assistência técnica, os agricultores não recebiam nenhum apoio estatal. Havia
reiteradas promessas de ajudas governamentais mas elas simplesmente não chegavam
às propriedades e comunidades rurais. Essa ausência do poder público lhe indicou
que insistir em soluções paternalistas significaria perder tempo e, o mais
grave, enganar os agricultores com ilusões e utopias. Por essa razão sentiu que
era necessário fazer algo radicalmente diferente, como por exemplo: oferecer aos
produtores rurais soluções, que fossem de tão fácil adoção e de tão baixo custo,
que todos eles pudessem adotá-las, sem necessidade de ajudas externas; e que ao
fazê-lo, pudessem aumentar a sua produção e incrementar a sua renda, de maneira
muito significativa. Mais tarde confirmou que isso não era uma utopia e sim uma
possibilidade real e concreta.
A proposta para emancipar os agricultores esta descrita no “Livro dos pobres
rurais”
Com este propósito emancipador começou a procurar soluções nas quais os
conhecimentos adequados pudessem compensar a insuficiência dos recursos
produtivos, como por exemplo: ensinar aos agricultores a melhorar suas
pastagens e a produzir nas suas propriedades os ingredientes com os quais eles
pudessem auto-produzir as rações balanceadas para seus animais. Isto é,
priorizou soluções mais autárquicas, mais auto-dependentes e mais
auto-sustentáveis, orientadas ao seguinte desafio: o quê e como fazer para
que os agricultores pudessem ser eficientes e competitivos com menos créditos,
com menos subsídios, com menos investimentos, com menos garantias oficiais de
comercialização, em fim, com menos Estado. A viabilidade e a eficácia dessas
soluções “que custam pouco mas rendem muito“ estão demonstradas no Livro dos
pobres rurais que está disponível, em forma gratuita, no site
http://www.polanlacki.com.br/agrobr
"Copiou" dos eficientes para ensinar aos ineficientes
Posteriormente e durante 23 anos sem interrupção, trabalhou na Organização das
Nações Unidas para a Agricultura e a Alimentação – FAO. Para melhorar a
fundamentação técnica da sua proposta emancipadora, que naquela época era ainda
muito incipiente, continuou recolhendo novos resultados de pesquisas e
experiências emancipadoras. Com tal fim visitou muitos municípios do Brasil e
todos os 18 países hispano-falantes da América Latina. Vários desses países os
visitou em mais de 30 oportunidades, fato que lhe permitiu ter uma visão mais
ampla das suas heterogêneas condições edafo-climáticas e dos seus sistemas de
produção. Em suas visitas pouquíssimas vezes se entrevistou com os ministros e
com outras autoridades de alto nível nas capitais dos países; preferiu recolher
as informações lá onde os problemas ocorrem e lá onde estão sendo realmente
solucionados. Isto é, as recolheu diretamente dos pesquisadores nas estações
experimentais, dos extensionistas e dos agricultores, diretamente nas
propriedades e comunidades rurais. Priorizou a busca de experiências de
agricultores pequenos e pobres que conseguiram tornar-se eficientes, sem ajudas
paternalistas dos seus governos. Nesse longo período atuou como conferencista em
aproximadamente 430 eventos nacionais e internacionais, convocados pelos mais
importantes organismos de la ONU e da OEA, universidades, ministérios de
agricultura, órgãos de pesquisa e extensão rural e associações de produtores
rurais. Depois de cada uma dessas conferências, sem exceção, estimulou os
participantes que criticassem esta proposta e que o fizessem sem piedade. As
contribuições que recolheu nessas múltiplas atividades confirmaram e
fortaleceram a sua convicção de que a principal causa da pobreza rural é
a falta de conhecimentos adequados; e não necessariamente a falta de políticas,
créditos, subsídios, garantias de preços e outras ajudas paternalistas.
Conheceu êxitos extraordinários na agricultura latino-americana
Nessa longa trajetória conheceu muitos agricultores, pequenos, médios e grandes,
que se cansaram da retórica paternalista e tomaram em suas próprias mãos a
solução dos seus problemas. Constatou que foi graças a essa a nova agricultura,
“alimentada” pelo conhecimento e não pelo paternalismo, que nas últimas décadas
ocorreram profundas transformações na agricultura latino-americana e que elas
foram concretizadas com mínima intervenção dos governos, como por exemplo:
a) O extraordinário avanço tecnológico da avicultura industrial em todos
os países da América Latina.
b) O plantio direto que na Argentina e no Brasil já está sendo adotado em
mais de 60% da superfície semeada. Esta eficientíssima tecnologia, que freiou a
erosão e reduziu drasticamente os custos de produção na agricultura, não foi
iniciada através de nenhuma medida paternalista, e sim por dois criativos
agricultores do Estado do Paraná.
c) O Brasil duplicou a sua produção de grãos em um período de apenas 12
anos. Entre 1997 e 2007 a exportação de carne bovina saltou de 158.000 toneladas
para 1.615.000 toneladas ao ano, convertendo o nosso país no maior exportador
mundial deste produto. Em poucos anos também se converteu no campeão mundial na
exportação de frangos, suco de laranja, açucar, tabaco e etanol, e no segundo
maior produtor mundial de soja. As cooperativas agrícolas e agroindustriais do
sul do país têm tido um êxito extraordinario. O crédito concedido através das
cooperativas de crédito rural ( sistemas Sicoob, Sicredi e Cresol ) que foram
constituidas pelos próprios agricultores atingiram grande expansão e
capilaridade. Sem intervenção estatal, ocorreu a colonização e a expansão da
fronteira agrícola nos estados de Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Goiás,
Tocantins, Rondonia e também em crescentes superfícies na Bahia, no Maranhão e
no Piaui.
d) O avanço na biotecnología, o rápido crescimento na produção de grãos,
sua armazenagem em sacos plásticos e a redução dos custos de transporte graças à
dragagem da Hidrovia do Rio Paraná, os progressos na fruticultura e na
vitivinicultura, na pecuária de carne ( confinamento em feedlots ) e de leite na
Argentina.
e) A produção e exportação de salmões, vinhos, frutas e sementes de
hortaliças no Chile
f) O êxito na produção e exportação de aspargos, mangas, alcachofras e
páprica no Peru, de camarões no Equador e Panamá, de hortaliças para exportação
na Guatemala, de café e de flores na Colômbia, a introdução e rápida expansão do
plantio direto e o êxito da eficiente rizicultura e pecuária leiteira no
Uruguai, a rápida expansão da fronteira agrícola e na adoção do plantio direto
na região oriental do Paraguai, etc.
Esses êxitos ocorreram com mínima intervenção do paternalismo estatal. Esses
agricultores tomaram a iniciativa de procurar e adotar as tecnologias que já
estavam disponíveis nas estações experimentais dos seus próprios países ou foram
buscá-las no estrangeiro. Eles não foram pedir ajudas aos políticos pois
preferiram assessorar-se com os extensionistas competentes e “copiar” o que já
estavam fazendo os seus colegas agricultores realmente eficientes. A propósito
se sugere ler o artigo Por favor não "ajudem" a agricultura, disponível neste
site.
Por quê critica com tanta veemência o paternalismo?
Porque nesse longo período também conheceu as debilidades da outra agricultura,
a agricultura do atraso e da ineficiência, da demagogia e do populismo, das
invasões de propriedades produtivas que ( por falta de conhecimentos dos
invasores ) se tranformam em favelas rurais; e especialmente do nefasto
paternalismo que, durante mais de cinco décadas está paralisando as iniciativas
e destruindo a dignidade e a auto-estima das famílias rurais. O seu ceticismo em
relação ao referido paternalismo não é casual nem gratuito; é conseqüência dos
fracassos que vivenciou e viu com os seus próprios olhos, diretamente no campo,
em todos os 19 países latino-americanos nos quais teve oportunidade de
trabalhar. Ou seja, a baixíssima eficácia das intervenções públicas em prol do
desenvolvimento das zonas rurais (projetos estatais de colonização, de
reforma agrária, de irrigação, de revenda de insumos, de comercialização, de
mecanização agrícola, de agro-industrialização, de combate à pobreza e de
erradicação da fome). Em muitos desses projetos que conheceu pessoalmente,
constatou que depois de 50 anos do seu lançamento, ainda não conseguiram
emancipar os seus beneficiários das ajudas governamentais. Nas últimas décadas
também conheceu vários dos muitos, grandes e caros projetos de
desenvolvimento agrícola, que foram executados, com abundantes
financiamentos externos, em todos os países de América Latina. Estes, depois dos
seus fracassos (e provavelmente para ocultá-los) tiveram que mudar de nome e
passaram a denominar-se projetos de desenvolvimento rural (DR), depois e
pelos mesmos motivos mudaram para DR integral, depois para DR integrado, depois
para DR participativo, depois para DR sustentável, depois para DR territorial,
etc. Em resumo, foram muito ágeis em mudar os nomes dos projetos porém
absolutamente incompetentes na erradicação da pobreza e do subdesenvolvimento
rural.
E depois de tantas vivências, o que está fazendo?
Atualmente dedica a sua experiência profissional às seguintes atividades:
a) Coordena uma ampla rede eletrônica de coleta e difusão de experiências
cujo propósito é demonstrar o seguinte: se lhes oferecemos uma educação útil,
contextualizada e de boa qualidade, “todos os agricultores, inclusive os
pequenos e pobres, podem ser eficientes e competitivos”. Os 270.000 membros que
integram a referida rede alimentam, retro-alimentam, aperfeiçoam e legitimam,
com as suas contribuições técnicas e especialmente com as suas críticas, esta
proposta educativo-emancipadora; e paralelamente
b) Realiza conferências dirigidas especialmente às pessoas que, na era
do conhecimento, deverão assumir a liderança e atuar, direta e/ou
indiretamente, como os principais protagonistas na solução dos problemas
agrícolas e rurais. Estes novos protagonistas são os seguintes: os professores,
egressos e estudantes das faculdades de ciências agrárias, das faculdades de
pedagogia ou educação, das escolas normais e das escolas agrotécnicas; os
extensionistas/promotores do desenvolvimento rural, as professoras das escolas
fundamentais rurais, os secretários municipais de agricultura, os secretários
municipais de educação e os dirigentes das associações, não politizadas nem “ideologizadas”,
que representam os pequenos, médios e grandes produtores rurais. O principal
objetivo das suas conferências é levantar o ego e a auto-estima destes novos "eficientizadores"
da agricultura ao demontrar-lhes que em suas mãos está o futuro dos agricultores
da América Latina; e adicionalmente convidá-los a que assumam este
extraordinario desafio, mas que o façam com profissionalismo, competência,
mística e vocação de serviço.
